Melhores Formas de Festejar o Dia de Portugal
Depois de dois anos em que a pandemia trouxe limitações de várias ordens à celebração das datas mais importantes do calendário português, a bonança parece ter finalmente chegado. Se o 25 de abril e o 1º de Maio já nos deram um vislumbre de normalidade com milhares de portugueses a saírem à rua para celebrarem estas duas importantes datas, o 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas, promete seguir-lhe as pisadas.
História do Dia de Portugal
É preciso retroceder ao ano de 1880 para encontrarmos a primeira referência histórica aos festejos do Dia de Portugal. Por decreto real de D. Luís I onde o monarca declara o 10 de junho em Portugal como "Dia de Festa Nacional e de Grande Gala" para comemorar, apenas nesse ano, os 300 anos da hipotética data da morte de Luís de Camões, 10 de junho de 1580.
Vinte anos depois, na sequência dos trabalhos legislativos após a Proclamação da República Portuguesa de 5 de outubro de 1910, foi publicado um decreto em 12 de outubro estipulando as datas comemorativas de Portugal. Entre feriados eliminados (sobretudo os religiosos) e outros adicionados como o 1 de janeiro, Dia da Fraternidade Universal; 31 de janeiro, que evocava a revolução falhada no Porto; 5 de outubro, Dia dos heróis da República; 1 de dezembro, o Dia da Autonomia (Restauração da Independência) e o Dia da Bandeira; o Dia de Portugal ficou na gaveta.
Contudo, como este decreto dava aos municípios a possibilidade de escolherem uma data no ano para festejarem as suas tradições, Lisboa optou pelo 10 de Junho como feriado municipal, em homenagem a Camões, dado que esta era a data apontada como sendo a da morte do poeta.
Só a 29 de agosto de 1919, através do decreto 17 171, o dia 10 de junho passou a ser considerado feriado nacional.
Depois do golpe de estado de 28 de maio de 1926 ter marcado o fim do regime da Primeira República e o início de uma Ditadura Militar que viria a desembocar no Estado Novo com a aprovação do novo texto constitucional em 1933.
No seguimento da entrada em vigor da nova Constituição e face à narrativa de exaltação dos símbolos nacionais promovida por Salazar e por António Ferro, grande dinamizador da política cultural do regime fascista, o 10 de junho ganha uma nova expressão e nome passando a chamar-se "Dia de Camões, de Portugal e da Raça", este último epíteto criado por Salazar na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944.
Com a implementação do regime democrático a 25 de abril de 1974, o 10 de junho converteu-se naquilo que hoje conhecemos como o Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas, uma data que mais do que celebrar a portugalidade, é a expressão de um país que se abre ao mundo, não para o conquistar, mas para o abraçar. Tanto assim é que, desde 2013, a comunidade autónoma da Extremadura espanhola também festeja este dia.
Desde 1977 dezenas de cidades já receberam as comemorações do Dia de Portugal, sendo que nove delas não são capitais de distrito (Tomar, Covilhã, Figueira da Foz, Sintra, Chaves, Lagos, Guimarães, Elvas e Lamego).
Em 2016, as comemorações oficiais decorreram pela primeira vez em duas cidades ao mesmo tempo: Lisboa e Paris, naquela que foi a primeira eleição da cidade-anfitriã por Marcelo Rebelo de Sousa enquanto Presidente da República. Foi também a primeira vez que as comemorações oficiais aconteceram numa cidade fora do país.
Em 2017 no Brasil, nos Estados Unidos em 2018 e em Cabo Verde em 2019, foram outras vezes em que as comemorações se estenderam para lá das fronteiras nacionais.
Em 2020, devido à pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa cancelou as comemorações do 10 de Junho que estavam previstas para a Região Autónoma da Madeira e África do Sul e optou por fazer em Lisboa uma pequena cerimónia.
Este ano, as cerimónias começam a 10 de junho em Braga e prosseguem para o Reino Unido, junto das comunidades portuguesas.
Melhores formas de festejar o Dia de Portugal
No próximo dia 10 de junho, milhões de portugueses e luso-descendentes espalhados por Portugal e pelo mundo, irão exprimir a sua portugalidade brandindo a bandeira verde-rubra bem alto, vestindo-se a rigor com motivos alusivos a Portugal, como o equipamento oficial da seleção nacional de futebol, uma das grandes embaixadoras da pátria de Camões, ou fazendo passeios por lugares históricos e emblemáticos da construção da ideia de nação como o Castelo de Guimarães ou o Mosteiro dos Jerónimos.
Para além destas iniciativas e dos vários eventos de cariz cultural (concertos, palestras, encontros, etc.) realizado por associações e movimentos de cidadãos, o dia 10 de junho tem também as suas Comemorações Oficiais que são presididas pelo Presidente da República e muitas outras grandes individualidades como o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, os Ministros, os Embaixadores e outras personalidades.
Estas comemorações que envolvem diversas cerimónias militares, exposições, concertos, cortejos e desfiles, além de uma cerimónia de condecorações feita pelo Presidente da República têm sempre o seu epicentro numa cidade do país e/ou comunidades portuguesas relevantes no mundo e atraem, normalmente milhares de pessoas que exprimem o que é o sentir-se português.
Como referimos, os festejos do Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas 2022 vai dividir-se entre Braga e o Reino Unido, mas se quiser começar a celebrar de véspera este dia, é bom anotar na sua agenda que a seleção portuguesa de futebol irá jogar com a Chéquia (República Checa) no dia 9 de junho no Estádio José de Alvalade, num jogo a contar para a terceira jornada do grupo B da Liga das Nações. De frisar que, além da Chéquia, Ronaldo e companhia vão enfrentar ainda a Suíça e a Espanha no grupo B e, quem sabe, voltar a ser feliz como em 2019, ano em que ganhou a primeira edição da Liga das Nações em pleno Estádio do Dragão.
Seja como espetador em Alvalade ou, no dia seguinte, numa das muitas cerimónias de celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que irão acontecer em território nacional e no mundo, esta é uma boa altura para tirar a bandeira, vestir-se a rigor e gritar bem alto o nome de Portugal.